Solftware para Eternidade
O instinto independe da inteligência?
Precisamente, não, por isso que o instinto é uma espécie de inteligência. É uma inteligência sem raciocínio.; Por ele é que todos os seres provêm às suas necessidades.
Questão nº 73
Um dos inventos mais prodigiosos de nosso século é o computador, cada vez mais sofisticado, beneficiando todos os setores da atividade humana.
Minha sensação, quando comecei a usá-lo, aposentando velha máquina de escrever, foi de quem deixa uma carroça para usar moderno carro importado.
O computador está presente nos lares, nas comunicações, nos veículos, facilitando a vida, tornando-a mais confortável e segura.
Há cálculos relacionados com a astronomia e viagens espaciais que demandariam meses. Hoje computadores os fazem em horas. Os mais possantes, em minutos.
No século XVI o genial astrônomo alemão Johannes Kepler levou quatro anos para calcular a órbita de Marte, uma elipse perfeita. Um computador faria os mesmos cálculos em quatro segundos.
-Só falta falar - diz boquiaberto um usuário noviço.
Está enganado.
Já existem computadores que transformam os impulsos eletromagnéticos em voz humana sintetizada. Em processo inverso atendem ao comando do operador.
Transformar sonhos em projetos
“... entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim. Ela dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta segurança.”
O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 12.
Todos sonhamos. Não me refiro aquilo que fazemos às noites, quando dormimos. Sonhar é desejar algo... imaginar uma conquista que nos faria feliz.
Somos seres de felicidade, logo, de conquistas, pois elas nos fazem felizes. Conquistas espirituais e materiais.
Basta conversarmos com as pessoas e nos daremos conta de que todos têm sonhos. É algo universal. No entanto, nem todos sabem como realizá-los.
Surge daí o problema habitual do ser humano comum: consegue sonhar, mas não conquistar.
Para sonhar, basta imaginação... desejo. Para conquistar, necessitamos de planejamento, estratégias, esforço, persistência, e muitas outras características que faltam à maioria.
Quantos talentos desperdiçados por preguiça, medo, desorganização, desinformação...
Os seres humanos são essencialmente capazes. Existe um potencial inimaginável em cada pessoa. Basta desejar verdadeiramente e seguir os caminhos corretos para atingir os fins que se deseja.
Certo que no trajeto existirão os tropeços, os erros, as quedas. Mas todo erro é didático, pois nos demonstra como “não fazer”, nos dando experiências que permitem o auto-aprimoramento.
O que normalmente acontece é a desistência diante dos primeiros obstáculos.
O que será que nos falta?
Certamente se somos sonhadores natos, temos que elaborar formas de colocar em prática nossos sonhos. Temos que tornar o sonho um projeto.
Gostaria de emagrecer. Ótimo! A saúde agradece. Bastará sonhar essa conquista, entre um bombom e outro? Óbvio que não. Marcar uma hora no nutricionista ajudaria muito. Seria o profissional adequado para auxiliar na elaboração do projeto.
O projeto dirá: Você vai emagrecer! Siga os procedimentos.
Gostaria de ser mais paciente. Muito bom! A questão é procurar se conhecer... saber em que circunstâncias se “perde” a paciência... quais pessoas e por que o tiram do sério.
O projeto dirá: Você vai ser mais paciente! Siga os procedimentos.
Quando projetamos nossos sonhos, eles ficam mais claros, mais palpáveis.
Ao realizar um projeto passamos a recolher informações do meio, a nos conhecer melhor, a dar passos mais firmes rumo a nossos ideais.
Podemos começar a elaborar o projeto hoje.
Bastará pensarmos nos nossos sonhos e realizar algumas questões:
• O que sonho é algo bom, algo ético?
• Quando realizado me fará feliz?
• Como realizar esse sonho?
A partir daí surgem inúmeras outras questões:
Existem pessoas que já realizaram algo semelhante?
• Se realizaram como o fizeram? Quais passos deram?
• Que recursos tenho disponíveis para essa realização? Se não possuo, como adquiri-los?
• O contexto é favorável?
• No que tenho que mudar?
• Quais os procedimentos diários para conquistar o que almejo?
• Etc...
Na medida em que as respostas surgem ficam mais nítidas nossas metas e o caminho que nos distancia delas.
Nossos sonhos são a força que dinamiza a sociedade, não podemos deixar de lado a oportunidade de dar nossa contribuição ao mundo, ao mesmo tempo que nos realizamos como pessoas.
Vale a pena tentar!
Cristian Macedo
(Publicado no Jornal Mundo Espírita de 01/08/2006)
Prece em Seu Lar
Você já pode observar o modo como a sombra noturna fica desfeita sob a ação da luz solar a cada manhã.
Você conhece os fenômenos da natureza por meio dos. quais a rocha é cortada pelo filete d'água permanente, que passeia sobre o seu corpo pétreo, ou como ela é lixada, pouco a pouco, pelos ventos pacientes que vêm e que vão.
Dentro desses enfoques, podemos meditar sobre o efeito dos pensamentos elevados, quando agem sobre as incontáveis ocorrências da existência.
Nas atividades do lar, não são poucos os dias de penumbra ou de sombra intensa motivados pelos temperamentos exasperados, irascíveis, odientos, ou por mil e uma tormentas que invadem a vivência da família, que podem até provir de motivos externos ao grupo doméstico, mas que o apanham no lance da surpresa.
Não são poucos os corações endurecidos, os sentimentos rochosos de almas demarcadas por muitas frustrações, por profundas amarguras ou decepções alimentadas que se converteram em seres empedernidos, que oscilam da indiferença à crueldade no seio da família.
Os problemas variados somam-se a variadas bênçãos que todos, quase sem exceção, costumam viver dentro dos lares, sem atinar muitas vezes quanto aos caminhos que lhes permitam romper a teia das dificuldades.
Introduza a prece em casa, caso essa providência ainda não tenha sido tomada. A prece em casa é como a brisa leve, dúlcida e perfumada, desfazendo fétidos que se insinuam aqui ou ali.
A vibração da mente que ora tem o poder de iluminar consciências, de clarear discernimentos, trazendo solução para diversos problemas de difíceis aparências.
Quem ora no lar vai, aos poucos, sensibilizando as almas de todos, mesmo aquelas que, aborrecidas consigo mesmas, desforram na vida e nos outros, como se todos devessem suportar seus impulsos venenosos ou suas posturas de chumbo.
Você que costuma ter cuidados com a qualidade dos alimentos de uso familiar, que se esmera em oferecer o melhor aos de casa, em todos os sentidos, não deverá esquecer ou menosprezar a eloqüente contribuição da prece como aroma inebriante que desponta no jardim do lar, ou como medicação formidável frente às enfermidades morais em curso.
Reúna quem se disponha, sem nenhuma pressão que não seja a fraterna persuasão, e de maneira descontraída, como quem se prepara para receber um querido e íntimo amigo, ore. Abra o coração e deixe que sua pulsação sensibilizada chegue à boca. Agradeça as alegrias e tristezas do dia vivido ou por viver, caso você ore à tarde, à noite ou pela manhã.
Abra uma pequena página, seja de O Novo Testamento, onde se acham os fatos e feitos de Jesus, seja de O Evangelho segundo o Espiritismo, onde encontramos os ensinamentos da moral de Jesus sob a visão de luminosos Mentores da vida planetária, ou de qualquer outro trabalho inspirado nas leis de Deus, sobre a felicidade humana. Leia um pequeno trecho que lhe permita fácil entendimento, rápidos comentários que lhe atestem a utilidade para todos. Banhe a alma nessas mensagens felizes e conclua esses momentos de sublime evocação das bênçãos divinas dirigindo ao Senhor a sua gratidão.
Evite utilizar esses instantes renovadores para "puxar orelhas" dos afetos, ou para fazer "sermões" despropositados e cansativos, ou, ainda, para o excesso de recitações que simulam preces, mas que são falatórios ditados por forte ansiedade de contar com privilégios indevidos, diante da imparcialidade das leis de Deus.
Estabeleça um comentário fraterno em torno das lições lidas, no qual quem quiser possa colaborar, sem constrangimento, até porque todos sabem onde os calos lhes dóem e onde as orientações de Jesus lhes servem às íntimas necessidades.
Se for do seu interesse, para maior aproveitamento do ensejo, disponha sobre um móvel qualquer um vaso com água para uso individual ou de todos, após a oração, guardando a certeza da atuação benfazeja da prece sobre ela e da colaboração invisível dos Mensageiros Celestes que virão em atendimento a sua busca.
Instale esse regime de prece em seu lar, e, enquanto em toda parte a desordem perturbe, o crime negreje e a dor faça sucumbir, junto a você e aos seus, pela ação da prece, tudo se torne construção da harmonia, cultivo da virtude e explosão de esperança. Ao longo dos dias você experimentará os resultados venturosos da sua iniciativa.
Jesus e a Inteligência Emocional
Afirma Daniel Goleman em seu livro “Inteligência Emocional” que os grandes mestres espirituais como Jesus e Buda “tocaram o coração dos seus discípulos falando na linguagem da emoção, ensinando por parábolas, fábulas e contos”. Segundo o escritor estes mestres espirituais falam no “vernáculo do coração”, o que do ponto de vista racional tem pouco sentido.
Goleman explica ainda que segundo Freud, em seu “conceito primário” de pensamento, essa lógica da mente emocional é a “lógica da religião e da poesia, da psicose e das crianças, do sonho e do mito”. Isto engloba também as metáforas e imagens como as artes, romances, filmes, novelas, música, teatro, ópera, etc., pois tocam de forma direta a mente emocional.
Isto nos leva a entender por que as expressões religiosas e artísticas agradam tanto: é que a imensa maioria das pessoas é dominada pela emoção. Também explica o motivo dessa preferência das multidões a essas crenças novas, rotuladas de evangélicas, que manipulam as emoções como fator de atração e direcionamento de seus adeptos.
Mas, o que é a EMOÇÃO? O dicionário registra: qualquer agitação ou perturbação da mente; sentimento; paixão; qualquer sentimento veemente ou excitado.
Segundo Goleman: “EMOÇÃO se refere a um sentimento e seus pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos, e a uma gama de tendências para agir.”
Não podemos perder de vista as sutilezas em que as emoções se manifestam, para melhor entendimento do assunto e encaminhamento do nosso raciocínio.
Os estudiosos do tema propõem famílias básicas (assim como as cores básicas); mencionaremos algumas:
IRA: fúria, revolta, ressentimento, raiva, exasperação, indignação vexame, animosidade, aborrecimento, irritabilidade, hostilidade e, no extremo, ódio e violência patológicos.
TRISTEZA: sofrimento, mágoa, desânimo, desalento, melancolia, autopiedade, solidão, desamparo, desespero e, quando patológica, severa depressão.
MEDO: ansiedade, apreensão, nervosismo, preocupação, consternação, cautela, escrúpulo, inquietação, pavor, susto, terror e, como psicopatologia, fobia e pânico.
PRAZER: felicidade, alegria, alívio, contentamento, deleite, diversão, orgulho, prazer sensual, emoção, arrebatamento, gratificação, satisfação, bom humor, euforia, êxtase e, no extremo, mania.
AMOR: aceitação, amizade, confiança, afinidade, dedicação, adoração, paixão, ágape (caridade).
E as virtudes e vícios que vão desde a fé, compaixão, esperança, coragem, altruísmo, perdão, equanimidade até dúvida, preguiça, tédio, etc. Há um debate científico sobre como classificar as emoções, já que podem ser igualmente um estado de espírito, temperamento ou se transformarem em distúrbios emocionais como depressão, angústia, ansiedade, fobias, etc.
Depreende-se, portanto, que em várias circunstâncias de nossa vida as emoções prevalecem e nos dominam. Quantas vezes nos surpreendemos diante de nossas alternâncias de estado de espírito, pois podemos ser muito racionais num momento e irracionais no seguinte quando o calor da emoção passa a comandar nossas atitudes.
É exatamente nos estados extremos das emoções que as pessoas cometem ações das quais se arrependem amargamente no minuto seguinte, quando a mente racional começa a reagir. É este o caminho dos crimes passionais, quando se diz que houve “privação dos sentidos”.
Portanto, emoções são sentimentos a se expressarem em impulsos e numa vasta gama de intensidade, gerando idéias, condutas, ações e reações. Quando burilados, equilibrados e bem conduzidos transformam-se em sentimentos elevados, sublimados, tomando-se, aí sim — virtudes.
O livro de Daniel Goleman traz-nos preciosas contribuições que devem ser analisadas à luz da Doutrina Espirita. Observemos, em princípio, o que consideramos a contribuição fundamental de sua obra: a distinção entre inteligência emocional e racional, em que “linguagem” a primeira se manifesta e todas as conseqüências que daí advêm. Mas, iremos analisar, especificamente, o discurso de Jesus, sob esta ótica.
Segundo o autor e conforme mencionamos linhas atrás, Jesus utilizou-se do “vernáculo do coração”, falava, portanto, a linguagem da emoção, e acrescentamos: do sentimento sublimado — por isto se diz que Ele trouxe a Lei de Amor.
Todavia, para a mentalidade racional que impera no Ocidente, nas elites intelectuais, sobretudo, essa mensagem passou a ser vista como sinônimo de psicose, infantilidade, poesia e utopia. Por outro lado, os principais fatores que geraram esse tipo de leitura foram as distorções, as interpolações e mutilações que o Evangelho sofreu e que o transformaram nesse cristianismo dos tempos atuais, muito distante da verdadeira Boa-Nova.
É exatamente no momento crucial em que a Europa, liderada pela França, entroniza a “deusa Razão”, zombando dos valores espirituais cultivados pela religião dominante, que a Terceira Revelação chega à Terra. O Espiritismo veio fazer uma leitura do Evangelho através da razão. Tendo em suas bases a moral cristã em sua pureza primitiva, interpretada, todavia, na linha do raciocínio a fim de que o seu aspecto emocional passe agora pela mente racional e possa ser aceita, assimilada pela mentalidade que prevalece em nossa época.
Cremos que a resistência na aceitação da Doutrina Espírita por parte dos países europeus (e mesmo norte-americanos), deve-se ao fato de não terem conseguido ainda assimilar essa nova mentalidade, pois destacam, de forma predominante, os valores intelectuais, a linha racional, não admitindo a prevalência da emoção ou a sua equiparação com a razão.
A Doutrina Espírita vem colocar o Evangelho do Cristo na linguagem da razão, com explicações racionais, filosóficas e científicas, mas, vejamos bem, sem abandonar, sem deixar de lado o aspecto emocional que é colocado na sua expressão mais alta, tal como o pretendeu Jesus, ou seja o sentimento sublimado, demonstrando assim que o SENTIMENTO E A RAZÃO podem e devem caminhar pela mesma via, pois constituem as duas asas de libertação definitiva do ser humano: O AMOR E A SABEDORIA.
A questão 627 de “O Livro dos Espíritos” traz-nos primorosa síntese das finalidades do Espiritismo e, a certa altura da resposta transmitida pelos Espíritos Superiores afirma: “O ensino dos Espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão. Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei toda de amor e de caridade.”
Autor: Suely Caldas Schubert
Amigos espirituais
É grandiosa e sublime a doutrina dos guias espirituais, pois revela a providência, a bondade e a justiça do Criador para com seus filhos, provendo-os de meios para o aperfeiçoamento. Para efeitos didáticos, Kardec classificou os guias espirituais em três categorias: Espíritos protetores, Espíritos familiares e Espíritos simpáticos.1
O Espírito protetor, ou anjo guardião é sempre um bom Espírito, mais evoluído. Trata-se de um orientador principal e superior. Sua missão assemelha-se à de um pai com relação aos filhos: a de orientar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo em suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida. Os Espíritos protetores não constituem seres privilegiados, criados puros e perfeitos, mas sim "[...] Espíritos que chegaram à meta, depois de terem percorrido a estrada do progresso [...]". 2 São almas que já trilharam as experiências de diferentes reencarnações - as mesmas pelas quais estamos passando -, e conquistaram, pelo próprio esforço, uma ordem elevada. 3
A Missão dos Espíritos protetores tem duração mais prolongada, pois estes acompanham o protegido desde o renascimento até a desencarnação, e muitas vezes durante várias existências corpóreas. Entretanto, a atuação do protetor espiritual não é de intervenção absoluta, pois, apesar de influir em nossa vontade, evita tomar decisões por nós e contra mo nosso livre-arbítrio. Sente-se feliz quando acertamos e sofre quando erramos, embora esse sofrimento não seja revestido das mesmas paixões humanas, porque ele sabe que, mais cedo ou mais tarde, o seu tutelado voltará ao bom caminho.
Os Espíritos protetores dedicam-se mais à orientação de uma pessoa, em particular, não deixando, entretanto, de velar por outros indivíduos, embora o façam com menos exclusividade. Exercem supervisão geral sobre nossas existências, tanto no aspecto intelectual, incluindo as questões de ordem material, 4 quanto moral, emprestando ênfase a esta última, por ser a quem tem preponderância em nosso futuro de seres imortais.
Os Espíritos protetores, em realidade, jamais abandonam os seus protegidos, apenas se afastam ou "dão um tempo" quando estes não ouvem os seus conselhos. Desde, porém, que chamados, voltam para os seus pupilos, a fim de auxiliá-los no recomeço. Por isso, atentemos aos conselhos de Joanna de Ângelis:
Tem cuidado para que te não afastes psiquicamente do teu anjo guardião.
Ele jamais se aparta do seu protegido, mas este, por presunção ou ignorância, rompe os laços de ligação emocional e mental, debandando da rota libertadora.
Quando erres e experimentes a solidão, refaze o passo e busca-o pelo pensamento em oração, partindo de imediato para a ação edificante.5
Os Espíritos familiares 7 são orientadores secundários. Embora menos evoluídos, igualmente querem o nosso bem. Podem ser os Espíritos de nossos parentes, familiares ou amigos. Seu poder é limitado e sua missão é mais ou menos temporária junto ao protegido. Ocupam-se com as particularidades da vida íntima do protegido e só atuam por ordem ou com permissão dos Espíritos protetores, como, por exemplo, quando o socorrido está recalcitrante e não ouve os conselhos superiores ou apresenta comportamento enigmático. Nessa hipótese, o Espírito familiar por ter mais intimidade e vínculos sentimentais com o protegido, é aceito como colaborador, de modo a auxiliar na solução de problemas específicos. Podem, por exemplo, influenciar na decisão de um casamento, 8 nas atividades profissionais 9 ou mesmo na tomada de decisões importantes que envolvam o cumprimento da lei de causa e efeito, 10 conforme a necessidade do atendido.
Já os Espíritos simpáticos podem ser bons ou maus, conforme a natureza das nossas disposições íntimas. Ligam-se a nós por uma certa semelhança de gostos, de acordo com nossas inclinações pessoais. A duração de suas relações, que também são temporárias, se acha subordinada a determinadas circunstâncias, vinculadas à persistência dos desejos e do comportamento de cada um. Se simpatizam com nossos ideais, com nossos projetos, procuram nos ajudar e, muitas vezes, tomam nossas dores contra nossos adversários, situação em que não contam com o beneplácito dos Espíritos protetores.
Portanto, ninguém, absolutamente ninguém, está desamparado. Entretanto, Deus não nos atende pessoalmente, conforme nossos caprichos, mas por intermédio das suas leis imutáveis e de seus mensageiros, isto é, Deus auxilia as criaturas por intermédio das criaturas. Apesar disso, os orientadores espirituais não fazem por nós o trabalho que nos compete para o nosso crescimento moral e intelectual. Não existe parcialidade nem privilégio nas leis divinas, ou seja, cada um recebe de acordo com o seu merecimento, de conformidade com seus esforços.
O amigo espiritual comparece quando é invocado, por meio de uma simples prece. Para ele, não há distancia, lugar, tempo ou barreira que o impeçam de atender a um apelo sincero, seja onde for: no lar, nos hospitais, nas ruas, no trabalho, nos cárceres e mesmo nas furnas da devassidão.
A ação dos orientadores espirituais é oculta, porque, se nos fosse permitido contar sempre com eles, seríamos tolhidos em nossa livre iniciativa e não progrediríamos. Nisso também está a sabedoria divina, porque assim desenvolvemos melhor nossa inteligência e ganhamos mais experiência. Do contrário, permaneceríamos estacionados, como no caso de certos pais que sempre fazem tudo para os filhos, poupando-os de aborrecimentos e dificuldades, e, com isso, tirando deles a oportunidades do aprendizado e da experiência, com graves prejuízos para a sua formação moral.
Os Espíritos infelizes, ainda presos nas malhas da ignorância, que se empenham em nos desviar do bom caminho, por meio dos maus pensamentos e de outras estratégias que encontram motivação em nossas próprias fraquezas, não tem missão de fazer o mal. Praticam esses atos por suas própria conta e responsabilidade e um dia terão que resgatar seus erros.
São Espíritos ainda atrasados moralmente, quais fomos um dia - de cujas mazelas também não nos libertamos integralmente -, e que, por sua vez, igualmente despertarão para o bem. Sua presença, entre nós, é útil, porque permite o adestramento de nossas faculdades, constituindo mesmo um campo de provas ou expiações, cujos obstáculos nos compete superar, na busca de caminhos alternativos para a libertação de nossas imperfeições que, na realidade, são o chamariz desses supostos adversários.
Como visto, o Pai não nos cria a esmo, sem proteção, planejamento e finalidade. Dá-nos, em plenitude, todos os suprimentos necessários ao nosso desenvolvimento, tendo nos Espíritos protetores "[...] os mensageiros de Deus, encarregados de velar pela execução de seus desígnios em todo o Universo, que se sentem ditosos com o desempenho dessas missões gloriosas [...]", 11 protetores esses que se utilizam do auxilio ou assessoramento dos guias espirituais das classes menos elevadas.
Os anjos ou protetores espirituais de hoje são os homens de ontem, que evoluíram, deixando para trás a animalidade. Essa ligação e interdependência entre os Espíritos das diversas faixas evolutivas, em permenente contato com o plano físico, formam o caleidoscópio da grande família universal, evidenciando as leis da unidade da Criação e da solidariedade entre os seres.
Deus, nosso Pai, não nos quer como autômatos, mas sim como parceiros, cocriadores, coparticipes, que temos a ventura de alcançar a perfeição pelas próprias forças, desfrutando o mérito da vitória sobre nós mesmos.
Lembremo-nos, finalmente, de que cada um de nós, encarnados, também pode e deve amparar o próximo, de acordo com a nossa capacidade e independente de nosso estágio evolutivo. Assim procedendo, estaremos, por nossa vez, atuando como auxiliares dos guias espirituais, para o cumprimento dos desígnios divinos, na infinita escala que dá acesso aos cumes evolutivos.
(1) KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evando Noleto Bezerra. Ed. Comemorativa do Sesquicentenário, Rio de Janeiro: FEB, 2007. Q. 489-321.
(2) Idem. A gênese, 52.ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 1, item 90.
(3) Idem. o céu e o inferno, 60.ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. P.1. cap. 8.
(4) Idem. Obras póstumas, 40.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. P.2. A minha primeira iniciação no Espiritismo, item Meu Guia espiritual, p.304.
(5) FRANCO, Divaldo Pereira. Momentos enriquecedores. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL, 1994.
(6) KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evando Noleto Bezerra. Ed. Comemorativa do Sesquicentenário, Rio de Janeiro: FEB, 2007. Q. 500
(7) Entenda-se “familiares” num sentido mais amplo e não apenas no sentido da parentela corporal.
(8) XAVIER, Francisco C. E a vida continua... Pelo Espírito André Luiz, Ed. Especial. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 23
(9) Idem, Nos domínios da mediunidade. Pelo Espírito André Luiz, 34. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 15
(10) Idem, Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz, 43. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Cap. 12
(11) KARDEC, Allan. O Livro dos médiuns, 80.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. P.1. cap.1, item 2. p.22.

